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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Sinais de Dislexia nas diferentes fases da infância e escolarização

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É importante destacar que a precocidade da identificação de alguns sinais de Dislexia são perceptíveis desde a pré-escola e, de acordo com SHAYWITZ (2006), o primeiro sinal de um problema de linguagem (e de leitura) pode ser o início tardio em começar a falar.
A seguir, serão elencadas algumas orientações, direcionadas especificamente aos educadores, com a finalidade de fornecer-lhes mais uma ferramenta, que possam auxiliá-los a identificar características que sugiram investigação específica, segundo SHAYWITZ (2006).
Na pré-escola observar as seguintes características e/ou dificuldades quando a criança começar a falar:
• Problemas de aprendizagem de rimas infantis comuns (quando o aluno não consegue decorar uma rima simples – “Um dois, feijão com arroz”);
• Falta de interesse pelas rimas;

• Palavras mal pronunciadas; persistência da chamada linguagem de bebê;

• Dificuldade em aprender e lembrar o nome das letras, cores e números;

• Deficiência em saber o nome das letras de seu próprio nome.

1º e 2º anos
• Deficiência em entender que as palavras podem ser divididas em partes (guarda-chuva), e que depois esta palavra pode ser dividida em duas palavras (com significados distintos) e por fim em sons;
• Incapacidade de aprender a associar letras e sons, incapaz de fazer a correspondência do grafema B ao som “B”;
• Erros de leitura que não demonstram conexão alguma dos sons com as letras (ler a palavra casa como pote);
• Incapacidade de ler palavras simples de uma só sílaba ou de pronunciar mesmo as palavras mais simples (pó, pá, meu, dói, ai, deu);
• Reclamações sobre o quanto é difícil ler, podendo sair do local ou esconder-se na hora da leitura;
• Histórico de problemas de leitura presentes em pais e irmãos.
Nesta fase, também devem ser observados indícios de pontos fortes, nos processos de pensamento, além daqueles de fala e leitura:
• Curiosidade;
• Grande imaginação;
• Capacidade de descobrir como as coisas acontecem;
• Forte envolvimento com idéias novas;
• Boa compreensão do ponto essencial das coisas;
• Boa compreensão de novos conceitos;
• Maturidade surpreendente;
• Grande vocabulário para sua faixa etária;
• Satisfação ao resolver quebra-cabeças e problemas;
• Talento para construção de modelos;
• Excelente compreensão de histórias que lhe são lidas ou contadas.
A partir do 3º ano:
Em relação à fala:
• Pronúncia incorreta de palavras longas, desconhecidas ou complicadas;
• Ruptura de palavras – omite ou confunde a ordem das partes de uma palavra (escola por secola, salada por sadala);
• Discurso não fluente, contendo pausas ou hesitações freqüentes;
• Uso de linguagem imprecisa, utilizando termos como coisa, negócio em vez de utilizar o nome correto do objeto (disnomia – incapacidade para recordar nomes próprios);
• Incapacidade de encontrar a palavra correta, confundindo palavras que tenham sonoridade semelhante, mas com sentido diverso (frito por grito);
• Necessidade de tempo maior para elaborar uma resposta oral ou incapacidade de dar uma resposta verbal de maneira rápida ao ser questionado;
• Dificuldade de lembrar partes isoladas de informação verbal (memória imediata) como datas, nomes, números de telefones, listas aleatórias.
Em relação à leitura:
• Progresso muito lento na aquisição das habilidades de leitura;
• Falta de estratégias para a leitura de palavras novas;
• Problemas ao ler palavras desconhecidas (novas ou não familiares) que devem ser pronunciadas em voz alta; tentativa de adivinhar a palavra ao lê-la; falhas na organização dos sons das palavras quando as pronuncia;
• Inabilidade para ler palavras funcionais, como por exemplo: em, na, e, aquela;
• Medo acentuado em ler em voz alta; quando o faz apresenta uma leitura contaminada por substituições, omissões, e palavras mal pronunciadas, além de um ritmo pouco fluente, lento, entrecortado e trabalhoso; não tem inflexão e parece a leitura de uma língua estrangeira;
• Desempenho desproporcionalmente fraco em testes de múltipla escolha, além de não conseguir finalizá-los no tempo estabelecido;
• Substituições de palavras de mesmo significado quando não consegue pronunciar, como: blusa por roupa;
• Dificuldade de leitura e conseqüente incompreensão dos enunciados dos exercícios de Matemática;
• Escrita (à mão) confusa, com ortografia desastrosa, mas grande facilidade ao utilizar o editor de textos, possuindo rapidez para digitar;
• Extrema dificuldade para aprender uma língua estrangeira;
• Falta de entusiasmo em relação à leitura; evita ler livros ou até mesmo uma frase; quando pode, faz escolha por textos que sejam pequenos, tenham letras maiores e muitas figuras (características esperadas para alunos de anos anteriores);
• Com o decorrer do tempo pode aumentar a precisão da leitura, porém ainda continua a ser sem fluência e trabalhosa;
• Auto-estima em declínio, presença de sofrimentos nem sempre visíveis;
• Histórico familiar com as mesmas características em relação à aprendizagem, leitura e ortografia.
Mesmo apresentando estas características relacionadas a problemas fonológicos, há indícios de habilidades nos processos de pensamento de alto nível:
• Excelentes habilidades de pensamento: contextualização, raciocínio, imaginação e abstração;
• Capacidade de entender “o todo”;
• Capacidade para ler e compreender palavras já aprendidas relativas a uma determinada área de interesse;
• Vocabulário de alto nível, em relação à sua idade e escolaridade, no que diz respeito às palavras que ouve;
• Compreensão acima da média, daquilo que lhe foi lido;
• Excelência em áreas que não dependam de leitura, como artes visuais, computação, ou em áreas que não exijam relacionar a fatos imediatos, filosofia, biologia, neurociências.
Ao trabalhar com alunos disléxicos (ou alunos portadores de outros distúrbios), deve-se sempre verificar aquilo que ele tem preservado em relação a suas habilidades específicas, valorizá-las e incentivá-los a desenvolvê-las muito mais. Desta forma é possível sair do quadro de insucesso ou fracasso escolar e resgatar sua auto-estima, fazendo-o acreditar e perceber que tem capacidade para outras tarefas, e não fixar-se somente numa inabilidade devido ao distúrbio.

Fonte: http://aaprendizagem.blogspot.com.br/2009/10/sinais-de-dislexia-nas-diferentes-fases.html

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

TEMPLE GRANDIN- LINDO FILME

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Olá pessoal,

Como sempre pensando em dividir com vocês, sejam filmes ou livros ou algo que venha somar aos nossos conhecimentos.
Hoje assistindo a um filme, achei que merecia ser compartilhado. É um lindo filme e vale muito vê-lo, além de nos emocionar. O filme nos mostra que jamais devemos subestimar a capacidade de alguém, mas acreditar acima de tudo, no potencial que todos possuem. Algumas informações sobre ele:
Filme biográfico sobre Temple Grandin, uma jovem com autismo que tinha sua maneira particular de ver o mundo, se distanciou dos humanos, mas chegou a conseguir, entre outras conquistas, defender seu doutorado. Com uma percepção de vida totalmente diferenciada, dedicou-se aos animais e revolucionou os métodos de manejo do gado com técnicas que surpreenderam experientes criadores e ajudaram a indústria da pecuária americana.
 Visitando a fazenda de sua tia Ann no Arizona em 1966, Temple inicia seu primeiro contato com animais, que influenciariam sua vida e carreira. A jaula para prender bovinos a inspirou na construção de um aparelho para si própria para se refugiar de seus frequentes ataques de pânico.
Sua mãe Eustácia, mesmo com a recomendação médica de interna-la em uma instituição psiquiátrica, insiste em proporcionar-lhe educação formal. Em uma escola para crianças superdotadas, é encorajada por seu professor de Ciências, o Dr.Carlock. Este percebe seu talento em "pensar em imagens e conecta-las", e a incentiva a prosseguir sua educação em uma universidade.



Fonte:




O que aprendi com os meus irmãos autistas

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Faith Jegede conta-nos a história comovente e engraçada de crescer com os seus dois irmãos, ambos autistas  e ambos extraordinários.
Nesta conversa da TED Talent Search [TED Procura de Talentos],
Faith lembra-nos de procurarmos uma vida fora do normal.
 Lindo vídeo assistam!




Para assistir o vídeo com tradução acesse:

Fonte: http://autismoembraga.blogspot.com.br/2013/01/o-que-aprendi-com-os-meus-irmaos.html

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

PLASTICIDADE NEURAL

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Fiquei encantada, quando tive aula de Neuropsicopedagogia. Uma das coisas que aprendemos foi sobre a plasticidade neural.  É incrível como o cérebro tem essa capacidade. Acho realmente fascinante e acredito que sempre haverá coisas novas a serem descobertas neste órgão tão incrível. Espero que gostem desse artigo, eu particularmente adoro todo tema que é relacionado ao cérebro. 


Uma grande quantidade de pessoas acredita que os danos cerebrais são irreversíveis, ou seja, uma vez ocorrido um problema neurológico, não há nada a ser feito para reparar os déficits. O desenvolvimento de recursos tecnológicos no campo científico nas últimas quatro décadas, culminando com a denominação dos anos 90 como a “Década do Cérebro”, foi fundamental para o refinamento das pesquisas nos processos de plasticidade e reabilitação neuropsicológica. 

O que é plasticidade neural?
A plasticidade neural é a capacidade do cérebro em desenvolver novas conexões sinápticas entre os neurônios a partir da experiência e do comportamento do indivíduo. A partir de determinados estímulos, mudanças na organização e na localização dos processos de informação podem ocorrer. Através da plasticidade, novos comportamentos são aprendidos e o desenvolvimento humano torna-se um ato contínuo. Esse fenômeno parte do princípio de que o cérebro não é imutável, uma vez que a plasticidade neural permite que uma determinada função do Sistema Nervoso Central (SNC) possa ser desenvolvida em outro local do cérebro como resultado da aprendizagem e do treinamento.

Como é formado o Sistema Nervoso Central (SNC) ?
O SNC é formado por cérebro e medula espinhal. O SNC de um ser humano contém cerca de 100 bilhões de neurônios, ou células nervosas. Os neurônios não se reproduzem como algumas outras células do organismo, mas é possível que os neurônios estabeleçam novas ligações. As ligações entre os neurônios são chamadas de sinapses. Os comportamentos, as emoções e o funcionamento de um indivíduo como um todo são resultados de sinapses.

Como ocorre a plasticidade neural?
A cada novo comportamento aprendido desde o nascimento até a fase adulta, várias conexões neurais ocorrem e se fixam no SNC, contribuindo para seu desenvolvimento normal e evolutivo. A plasticidade neural é natural e essencial para o aprendizado, para o desenvolvimento das funções neuropsicológicas e motoras do indivíduo. Assim, é possível continuar a estimular o indivíduo, seja por meio de psicoterapia, de exercícios específicos e de treinamentos, de maneira que quanto maior a quantidade de estímulos, melhor será o nível de funcionamento.

Como atua a plasticidade neural no caso de doenças do SNC? Ela pode beneficiar o indivíduo?
Acidente vascular cerebral, Alzheimer, Parkinson e lesões na medula espinhal são apenas alguns dos quadros patológicos do SNC. Embora existam limitações, as células saudáveis vizinhas à lesão podem assumir parte da função dos neurônios danificados. Dessa forma, o indivíduo que sofreu algum tipo de lesão cerebral tem a possibilidade de ter um aumento de sua qualidade de vida devido essa auto-reparação do SNC. No entanto, a recuperação de uma função através da plasticidade depende de fatores como: idade, local da lesão e a função correspondente, e a qualidade do primeiro atendimento prestado ao paciente após a ocorrência da lesão.

Como reabilitar um paciente através da plasticidade neural?
Nos casos em que há danos no SNC, um programa de reabilitação pode ser conduzido para melhorar ou amenizar o quadro patológico. Diversos profissionais podem trabalhar para a reabilitação do paciente através da plasticidade neural: psicólogo, fisioterapeuta, médico, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo. Na maior parte dos casos, é necessária a intervenção de uma equipe multiprofissional. Após a avaliação detalhada, um plano de tratamento deverá ser elaborado, com o treinamento de estratégias que estimulem os neurônios saudáveis a suprir as funções correspondentes ao local da lesão. Cada caso é individual e a evolução do paciente depende de diversos fatores já citados. No entanto, existe uma série de recursos cada vez mais aprimorados para possibilitar ao paciente maior autonomia e qualidade de vida.
FONTE:
http://www.plenamente.com.br/artigo/73/-que-plasticidade-neural--maria-alice.php

COMO ENSINAR AS CRIANÇAS A SEREM ORGANIZADAS

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Organização é algo que podemos ensinar às crianças, assim como ensinamos a ter respeito pelas outras pessoas, a amar os animais, a cuidar dos seus brinquedos etc. Não é difícil – basta fazer par
te da sua rotina. Veja algumas dicas para ajudá-las nesse assunto:

1. Envolva a criança na organização
Toda vez que estiver organizando, arrumando ou limpando a casa, envolva a criança no processo. Explique o que está fazendo e peça ajuda. Isso pode ser feito com crianças em qualquer idade. Meu filho de dois anos me ajuda a pendurar a roupa, por exemplo. Basta tornar a tarefa divertida.

O importante de envolver a criança no processo de organização é tornar aquilo muito natural para ela, parte do seu dia-a-dia. Se não for assim, não adianta brigarmos com ela quando ela se tornar adolescente, porque nunca arruma nada. Precisa fazer parte da rotina e, importante: meninos e meninas. Vamos tirar desde cedo o estigma machista de que só a mulher arruma a casa. Mães de meninos: envolvam-os na organização.

2. Ensine a criança a doar o que não usa mais
Para uma criança, pode ser difícil se desfazer de objetos que não use, pois ela não entende os benefícios dessa prática. O que não for mais adequado à sua faixa etária, explique dessa forma mesmo. Geralmente as crianças gostam de saber que estão um pouquinho mais crescidas e seu orgulho não as deixará apegadas àquele item. Claro que existem exceções! Se for um brinquedo que seu filho goste muito, mas muito mesmo, não há porque se desfazer dele. Mantenha durante mais algum tempo. Mães e pais costumam saber quais são os itens que as crianças não usam mais e que não lhe farão falta, então basta separá-los. Envolva a criança no processo inicial e explique o que você está fazendo.

Eu frequentemente digo ao meu filho que estou doando um brinquedo porque é um brinquedo de bebê, e ele não é mais bebê. Então eu pergunto se ele é grande ou pequeno, e ele diz empolgadíssimo: “grande!”.

3. Ensine o valor do tempo
Nós conhecemos o mundo caótico que vivemos, cheio de informações e demandas por todos os lados. É muito importante ensinar as crianças a cuidarem do seu tempo, para que o aproveitem da melhor forma possível. Isso não significa lotar a agenda da criança com atividades, mas permitir que ela seja criança mesmo! Que é importante ter o horário de fazer a lição, ler um livro, fazer alguma aula extra-classe assim como é importante ter o horário de brincar, ver tv e jogar vídeo-game. Mostrando a uma criança que ela tem horário para fazer tudo o que ela gosta, contanto que cumpra com as suas obrigações, fica mais fácil de convencê-la.

Ela aprenderá que, se não fizer a lição, não sobrará tempo para fazer o que gosta, por exemplo. Será uma luta diária na família, pode ter certeza, mas que valerá a pena quando a criança finalmente aprender o conceito, pois essa disciplina é algo que ela levará para o resto da vida.

4. Aprenda a delegar tarefas
Esse conceito é muito simples: quando a criança vê que todos em casa dividem as tarefas, não achará o mundo injusto e que somente ela tem obrigações. Isso pode até virar seu argumento. Todos em casa trabalham em equipe e isso é bom para a família porque ninguém fica sobrecarregado.

Você já viu aquele programa da Super Nanny? Em toda casa, ela monta um quadro com a rotina e os afazeres dos membros da família. Isso pode funcionar para vocês, especialmente se há mais de uma criança em casa. Deixe as crianças escolherem entre as tarefas que gostam de fazer (mas dê limites, como “você prefere lavar a louça ou varrer o chão?”). E, claro, sempre de acordo com a idade de cada uma delas.

O importante é delegar tarefas e não centralizar tudo. Ensinar uma criança a ser independente é uma das melhores lições que os pais podem oferecer aos seus filhos.

5. Torne as tarefas mais divertidas
Crianças pequenas podem ser convencidas a realizar tarefas quando dermos algum toque lúdico a elas. O cesto de roupa suja pode ser uma cestinha de basquete, por exemplo, e a criança brinca de jogar a roupa fazendo cestas. A limpeza de algum lugar pode virar uma guerrinha de água. Existem diversas possibilidades. Seja criativo(a)! Coloque-se no lugar do seu filho e imagine o que poderia ser feito para tornar a tarefa mais legal.

6. Acompanhe o dia-a-dia das crianças
Mesmo a mais organizada das crianças pode não conseguir lidar direito com seus afazeres simplesmente por falta de experiência. Por mais organizado que seu filho seja, acompanhe seu dia-a-dia, se tem feito as lições, se está cumprindo suas tarefas em casa, se está dormindo bem, se está se divertindo. Esse é o nosso papel como pais: coordenar a coisa toda de modo que a família esteja sempre bem.

Além do que, sabemos que esse acompanhamento traz segurança às crianças, pois sabem que existe alguém cuidando delas. Isso é demonstrar amor, minha gente.

7. Dê o exemplo
De nada adianta pedir para o seu filho recolher o que está fora do lugar se você é um(a) bagunceiro(a) de mão cheia. Assim como não adianta pedir que seu filho leia um livro, por exemplo, se você nunca pega em um. As crianças aprendem muito com os exemplos que têm em casa, então veja que responsabilidade nós temos!

Com relação à organização, dê o exemplo. Se a criança vir que você está sempre organizando, limpando o que sujou etc, certamente ficará mais propensa a fazer isso do que se não tivesse o exemplo.

8. Deixe a criança ter acesso às suas coisas
Quando eu comecei a ler sobre o método Montessori, a primeira coisa que me chamou a atenção foi justamente que a criança deve ter acesso aos seus pertences mesmo desde nova, para lhe proporcionar independência. Como esperar que uma criança arrume suas coisas se ela precisa subir em um banquinho para fazer isso, por exemplo? Deixe tudo com o acesso mais fácil possível. Tenha uma estante baixinha com seus brinquedos e livros. Verifique se a cama tem a altura certa para que ela suba e desça com facilidade. Deixe quadros pendurados na altura dos seus olhos na parede, para que ela possa contemplá-los sem ter que subir no seu colo. Pense na melhor forma de acessibilidade para o seu filho. Veja com os olhos dele e tome providências. Acesso gera independência.

9. Dê recompensas
Ok, eu não sou muito fã do famoso suborno infantil, mas precisamos combinar que isso funciona! Uma vez ou outra, se estiver realmente difícil convencer seu filho a realizar determinada tarefa, estabeleça recompensas. Não precisa ser algo comprado, mas algo que ela queira muito fazer. Você pode dizer que, se ela arrumar o quarto, poderá passear com a vovó no próximo sábado. Claro que isso dará margem a algo não muito legal, que é a criança só querer fazer algo se tiver uma recompensa. Portanto, use com cautela e com recompensas inofensivas, que não alterem a rotina da criança de forma negativa (por exemplo, prometer que ela jogará meia hora a mais de vídeo-game se fizer a lição, porque ela vai querer sempre essa meia hora a mais).

10. Proporcione tranquilidade
Quando nos organizamos, nossa vida se torna mais tranquila. Há certas coisas que as crianças simplesmente não podem fazer, como manter as contas em dia, manter a despensa abastecida e a casa funcionando de maneira geral. Seja a pessoa responsável por isso. Não permita que a sua família tenha um dia-a-dia caótico, onde ninguém sabe o que esperar. Tenha boa-vontade! Motive-se, seja disciplinado(a) quanto às coisas que envolvam a sua família.

Uma criança que vive em um ambiente tranquilo tem liberdade para viver, ser feliz, aprender. E você também. Todo mundo se beneficia disso. Eu acredito que essa seja uma das maiores recompensas da organização. Assuma o controle da sua vida, se não por você, mas pelos seus filhos. Isso é um presente de valor inestimável que você pode dar a eles.

FONTE: http://vidaorganizada.com/


domingo, 13 de janeiro de 2013

Que tal pegar as rédeas da sua vida ?

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 Por Fábio Fischer de Andrade

Curtograma, talvez muitos conheçam com outro nome. Baseia-se nas respostas dadas nos gostos pessoais. Parece coisa de auto-ajuda, revistinha de banca de jornal, etc. Mas é uma maneira, entre muitas, de incentivar um olhar para dentro de si. Pegue uma folha de papel e faça você mesmo. Basta responder aos itens abaixo. Em cada resposta, faça outras perguntas.

Coisas que você gosta e faz:

Coisas que você faz, mas não gosta:

Coisas que você gostaria de fazer, mas não faz:

Em todas as respostas, faça novas perguntas.

Exemplos:

Coisas que você gosta de fazer. 

Resposta: Viajar. Por que ? O que você faz nas viagens ? como você se sente ao ir ? E quando retorna ?

Coisas que faz, mas não gosta.

Resposta: Freqüentar um lugar (ambiente) X. Por que ? Se não gosta, por que faz ? Se é obrigado a fazer, existe outra forma de fazer sem sentir-se muito desconfortável ? Se sim, por que não faz ?

A proposta deste exercício é trazer de volta à consciência assuntos que podem ficar ocultos por força das rotinas diárias que todos nós temos.

Após o exercíco, reflita sobre o que está “fora dos eixos” atualmente na sua vida e como pode ser mudado.

O que te deixa zangado ? Nervoso ? Com medo ?
Triste ? Ansioso ? Feliz ? Satisfeito ? Completo ?

Quando foi a última vez em que se sentiu bem, tranquilo ou em paz ?

O que aconteceu para tudo sair de controle ?


O que você precisa fazer para mudar ?

Faça um plano de metas reais, ou seja, que estejam dentro da sua realidade e que dependam apenas de você. Não estou falando em conformismo, isolacionismo ou qualquer outro “ismo”, mas sim de contato com a realidade. É fácil entrar no esquema de cobranças excessivas consigo mesmo quando se perde a noção do que se sabe/pode fazer com o que não se sabe/não se pode fazer.

Existem coisas que só dependem da gente, o único preço a pagar para a realização é dar o primeiro passo. Outras coisas, no entanto, não poderemos fazer porque fogem da nossa capacidade ou dependem da vontade de outros. Talvez eu nunca vá conhecer a Europa, mas nem por isso eu vou desistir de ter uma vida produtiva e de perseguir minha felicidade.

Uma das causas da ansiendade é a ignorância (no sentido literal do termo). Quando não conhecemos algo, a tendência é fantasiar sobre isso e imaginar coisas do tipo:

 O que é ? O que vai ser ? Será que sou competente ? O que pode acontecer ? Sairei magoado ?

Por isso é importante procurar aprender sobre si e sobre o mundo ao seu redor. É um processo demorado, que exige uma certade disciplina e às vezes machuca, por que implica em algumas mudanças de hábito e de ponto de vista.


Com nossas vidas, devemos tentar ser (sempre que possível) o cocheiro que estala o chicote, e não o cavalo que puxa a charrete. Que tal pegar as rédeas da sua vida ?

Fonte:http://silvanapsicopedagoga.blogspot.com.br/2013/01/que-tal-pegar-as-redeas-da-sua-vida.html?showComment=1358081545947#c1422528960965968869

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Reportagem Revista ÉPOCA: Como lidar com os distúrbios mentais na infância

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Eliseu Barreira Junior
 
Os craques santistas Neymar, Paulo Henrique Ganso e Robinho são os três ídolos de João*, de 8 anos. Assim como muitos garotos da sua idade, ele adora futebol e toda semana se reúne com os coleguinhas de escola para jogar uma "pelada". "Sou meia-atacante", diz orgulhoso. Na vida de João, porém, o esporte é mais que uma paixão ou divertimento. É uma forma dele se socializar e superar as dificuldades de um grave transtorno de desenvolvimento que já trouxe muita preocupação para sua mãe, a engenheira química Cláudia*. 

O filho tão desejado por Cláudia nasceu em um parto complicado. Por causa disso, ele teve de ficar internado durante dez dias antes de ir para casa com a mãe. Conforme crescia, João demonstrava um comportamento pouco comum: não sorria para os familiares, não gostava de contato social, era agressivo com os pais sem motivo, não reagia afetivamente e não falava. Para a família, tudo aquilo parecia natural, coisa de criança. Até que, ao completar 1 ano e 8 meses, ele passou a frequentar um berçário. No ambiente escolar, ficou evidente que havia algo de errado: João batia nas outras crianças, não gostava das professoras e evoluía de modo incompatível com a sua idade. Os profissionais do berçário recomendaram então que Cláudia procurasse ajuda médica. 

Levado a um psicólogo, foi constatado que João apresentava traços de uma criança autista, apesar de não ter autismo. O diagnóstico: Transtorno Global do Desenvolvimento. Sob o nome, estão incluídos graves distúrbios emocionais e transtornos relacionados à saúde mental infantil. "Os problemas dessas crianças não vêm necessariamente de uma debilidade intelectual nem de uma debilidade física", afirma Maria Cristina Kupfer, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP) e estudiosa da psicose e autismo infantis há mais de vinte anos. "Seus problemas vêm de uma falha precoce no estabelecimento da relação com os outros." 

Isso quer dizer que, para crianças como João, a construção do psiquismo voltado para o convívio social não se fez convenientemente. Nosso psiquismo (ou nossa personalidade) é construído para ser um instrumento de relação com os outros, uma espécie de porta aberta para o mundo. "A falha nesse processo é resultado das dificuldades, acidentes, entraves ou impasses ocorridos durante o processo de estruturação subjetiva da criança", diz a psicanalista Enriqueta Nin Vanoli, da equipe multidisciplinar da Associação Serpiá (Serviços Psicológicos para a Infância e Adolescência), de Curitiba (PR). 

A análise do histórico de vida de João pode ajudar a entender como o problema se desenvolveu. Cláudia conta que o fato do menino não corresponder aos carinhos que recebia ainda bebê, evitar o seu olhar e não esboçar nenhum tipo de sentimento criou uma barreira entre ambos. Ela sonhara com um modelo ideal de criança a que João não correspondia. A frustração impedia uma proximidade, uma relação genuína de mãe e filho. "Era como se o João fosse uma criança qualquer. Apesar de estar ao seu lado fisicamente sempre, não conseguia me aproximar emocionalmente. Ele cresceu isolado de mim", afirma. Cláudia acredita que o problema no parto, de certa forma, criou uma ferida psicológica que marcou o garoto. "A verdade é que eu também tinha dificuldade de amar meu filho, talvez pelo meu histórico familiar. Cresci num ambiente em que as pessoas eram muito fechadas. Costumava me julgar uma pessoa carinhosa, mas dar carinho é diferente de dar amor." 

O relato de Cláudia revela dois elementos que os especialistas costumam notar em casos em que o Transtorno Global de Desenvolvimento é diagnosticado. Em primeiro lugar, há uma enorme dificuldade para os pais aceitar o não-olhar dos filhos, interpretado como falta de afeto por parte da criança. Em segundo lugar, o problema sempre envolve o menor e o adulto responsável por sua criação, ou seja, ele não pode ser concebido como um fenômeno que acontece com somente uma pessoa. “É preciso tomar cuidado, porém, para não culpar os pais, porque são coisas que não costumam passar pela consciência deles”, diz Jussara Falek Brauer, professora aposentada e coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas Psicanalíticas dos Distúrbios Graves na Infância do IP-USP. “A criança pode estar respondendo a algo de errado que está na mãe e que, às vezes, nem a própria mãe sabe que tem. Só por meio de análise é possível descobrir o que está acontecendo.” 

Um estudo epidemiológico feito em 2008 pelo pesquisador americano Myron Belfer mostrou que até 20% das crianças e adolescentes sofrem de algum transtorno mental grave. Se for considerado o espectro autístico, pode-se falar em uma criança em cada 150, de acordo com a agência Centers for Disease Control e Prevention (ou CDC), do departamento de saúde e serviços humanos dos Estados Unidos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta uma taxa de 12% a 29% de prevalência de transtornos mentais na infância. De forma geral, a incidência de distúrbios como o de João é maior em meninos do que em meninas. Diagnosticar problemas psiquiátricos em crianças, no entanto, costuma ser difícil. "A partir de seis meses de idade, uma criança já pode mostrar sinais de autismo, como o não-olhar para a mãe, mas isso isoladamente não quer dizer que ela vá se tornar autista", afirma Maria Cristina. "É muito perigoso pegar um rótulo e colocar num bebê, porque ele vai procurar responder àquilo que todo mundo está falando que ele tem", diz Jussara. 

Daí a necessidade de um diagnóstico feito por profissionais especializados. "Um bom acompanhamento médico é fundamental. Ele envolve um trabalho que deve considerar uma série de fatores, além da sutileza e singularidade de cada caso", diz Enriqueta. Foi o que aconteceu com João. Após a primeira consulta médica, ele já começou um tratamento que buscava reatar o diálogo perdido com os outros. Sua mãe também passou a se consultar com a mesma psicóloga responsável pelo acompanhamento do filho. "Nas sessões, eu aprendi como superar as minhas dificuldades de relacionamento com ele", afirma Cláudia. 

Trabalhar a mãe e a criança com o mesmo profissional, mas em sessões individuais, é um dos segredos para o sucesso do tratamento. "Esse trabalho conjunto vai na direção da reconstituição da história familiar. A partir dele, tenta-se desfazer o emaranhado que cria problemas para a criança", afirma Jussara. A experiência da professora da USP mostra que 90% dos 105 menores que atendeu ao longo de sua pesquisa clínica na universidade deixaram de apresentar os sintomas que os levaram ao médico pela análise e correção do que havia de errado entre mãe e filho. 

Seis anos após o início do tratamento, João leva hoje uma vida normal. Ele vai a uma escola comum – João está na segunda série do ensino fundamental de um colégio particular de São Paulo – , estuda inglês e, além de futebol, pratica natação e capoeira. Agora, convive bem socialmente, não se isola mais, gosta de conversar e qualquer dificuldade que tem recorre à ajuda da mãe. "Ele aprendeu a expressar muito bem o que sente. O distanciamento que existia antes acabou", diz Cláudia. Como João demorou para desenvolver seu lado social, o menino ainda apresenta algumas reações que não são adequadas, como querer exclusividade quando está brincando com um amiguinho. 

Para mudar comportamentos como esse, ele frequenta duas vezes por semana a Associação Lugar de Vida, dedicada ao tratamento e à escolarização de crianças psicóticas, autistas e com problemas de desenvolvimento. Localizado no Butantã, na zona oeste de São Paulo, o Lugar de Vida iniciou suas atividades em 1990 como um serviço do Departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade do IP-USP. Lá, João participa de Grupos de Educação Terapêutica (GETs) com outras crianças. Há dois focos de trabalho nos GETs: o primeiro compreende atividades como movimentação em brinquedos de grande porte, corridas, jogos de pátio com regras simples, encenação de pequenas peças, aprendizado de músicas e escuta de relatos de histórias – atividades, em geral, de cooperação grupal para o desenvolvimento do laço social; o segundo foco é na escrita e compreende atividades para o desenvolvimento do desenho, do grafismo e da superação das dificuldades de alfabetização. Para os pais, há uma reunião uma vez por semana em que eles podem conversar sobre os problemas dos filhos com a mediação de uma psicóloga. Nos encontros, compartilham suas dúvidas, obtêm esclarecimentos e trocam experiências."É bom participar desse tipo de reunião porque a gente percebe que não está sozinha nisso", afirma Cláudia. 

Contar com o auxílio de bons profissionais e abraçar o problema para superá-lo – sem buscar um culpado – foram os principais elementos para a melhora do filho, segundo Cláudia. “Se o pai e a mãe não estão ali para ajudar, nada adianta. No começo, eu e meu marido ficamos muito atormentados com o que estava acontecendo, e juntos conseguimos enfrentar a situação”. A mãe coruja diz que João já sabe o que quer ser quando ficar mais velho: jogador de futebol do Santos, seu time do coração. O menino que antes não sabia se relacionar se apaixonou por um esporte em equipe e ensinou sua mãe a amá-lo. 

* Os nomes foram trocados para preservar a identidade do menor e da mãe
REPORTAGEM ÉPOCA - UM NOVO OLHAR SOBRE O AUTISMO

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG77644-8055-473-2,00-UM+NOVO+OLHAR+SOBRE+O+AUTISMO.html